Personalidades
Marino Balbino dos Santos
Marino é uma personalidade ilustre da Santa Isabel. A disso é um dos fundadores da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, e conhecido por sua simplicidade e boa índole. Descendente direto de escravos, retrata em sua história a trajetória de muitos outros negros que batalharam seu espaço e hoje se orgulham de seu passado e de sua luta.
Nascido em Porto Alegre, em 22/01/1934, filho de Apolinário e Maria dos Santos, teve uma juventude de muito trabalho, conseqüentemente pouco estudo, o que não o impediu de ter progresso e sucesso nas muitas vezes que engajou-se nas atividades culturais da comunidade, conquistando um grande prestígio e admiração da população carnavalesca viamonense.
Na Escola, tem a fama de ser o mediador nas ocasiões polêmicas, agindo como conciliador.

Entrevista concedida à Revista Viamão

Revista Viamão: Como era sua vida em Porto Alegre?
Marino Balbino dos Santos:
Perdi meu pai muito cedo, quando eu tinha 7 anos de idade. Então, tive que ajudar minha mãe no sustento da casa. Aos 8 anos, já trabalhava. Minha mãe lavava roupa para fora e eu fazia as entregas. Também trabalhei como entregador de alfaiate e dos 14 aos 18 anos, numa indústria de rádios, até ir para o exército. Estudei apenas até a 5ª série, na Escola Inácio Montanha. Depois do exército, fui jogador de futebol do time do Banco Agrícola Mercantil.

Revista: Por que veio para Viamão?
Marino:
Vim em 66. Estava difícil a vida na capital, então, comprei um terreno na Santa Isabel. Nesta época, eu trabalhava na Prefeitura de Porto Alegre, no setor de limpeza. Mesmo mudando de cidade, continuei trabalhando lá, só que agora na Usina do Gasômetro, como estivador e segurança.

Revista: Quando surgiu o interesse pelo Carnaval?
Marino:
Desde os 14 anos, quando um irmão mais velho, que já fazia parte do bloco, me levou para conhecer Grupo Carnavalesco Embrutos. Acompanhei este grupo por quase 15 anos, onde fui até a presidência. Durante o tempo em que estive no grupo, vi passarem de 30 para mais de 50 os integrantes. Quando o Embrutos parou, eu também parei, pois não sai mais em nenhum outro grupo, apenas acompanhava as escolas.

Revista: Como surgiu a Escola de Samba Unidos da Vila Isabel?
Marino:
Já existia uma vontade de fazer uma escola na vila, mas nunca saía. Eu só observava, estava a pouco tempo com minha família aqui, e não me metia, não tinha muitas amizades ainda.
Então quando comecei a fazer mais amigos aqui, começamos também a fazer excursões para o terminal de Cidreira. Alugávamos um ônibus, convidávamos o pessoal e íamos para a praia. Isso foi por uns 6 ou 7 anos. A gente juntava o pessoal, levava uns instrumentos e fazia um carnaval! O pessoal foi se entusiasmando e foi daí que surgiu a Escola Unidos da Vila Isabel. Nesta época, eu já levava 4 ônibus para Cidreira, e tinha uma gurizada boa, alguns, como eu, estão até hoje na Escola.
Algumas pessoas têm uma versão diferente de como surgiu a escola, e que outra pessoa teve a idéia de fundar a Vila. Isso porque, quando fundamos e a Escola, em 1979, eu fui vice-presidente. Mas eu comecei e segurei a Escola.

"Temos muito a agradecer e respeitar essa figura que sempre esteve ativo no quadro da escola. Tio Marino representa o elo do passado com o presente e também com o futuro da Vila Isabel. Ele é exemplo de força, raça e ser humano do bem. Vida longa ao Tio Marino!" - Cláudia Gutierres