Personalidades
Italvino Turani
Turani é uma pessoa muito conhecida na Santa Isabel e em Viamão. Tendo chegado no bairro há muito tempo, ele participou da construção do que vemos hoje. Católico, o descendente de italianos é trabalhador e persistente, tendo lutado muito na vida, passando por diversas dificuldades, desde quando saiu de sua terra natal, até os dias de hoje. Com 62 anos, Italvino Turani nos contou um pouco sobre sua vida em uma entrevista realizada no restaurante criado por ele e administrado pela família, enquanto atendia aos clientes.
Data de nascimento: 04/09/1945
Esposa: Isolda Turani, nascida no dia 16/11/1945
Filhos: sete, seis filhos e uma filha
Netos: cinco
O que faz: possui dois caminhões de mudança, um hotel e restaurante e uma fruteira, em Viamão, na Santa Isabel

Entrevista concedida à Revista Santa Isabel

Revista da Santa Isabel: Em que cidade o senhor nasceu?
Italvino Turani:
Eu venho do Rio da Prata, no 4º Distrito de Veranópolis. Lá era puro mato, não tinha nada. Só passarinho cantando. O local onde eu morei fica a 20km do centro de Veranópolis. Agora o 4º Distrito se emancipou e passou a se chamar Vila Flores.

Revista: Até que idade o senhor morou lá?
Turani:
Eu fiquei lá até os meus 26 anos, junto com o pai e a mãe, ajudando a dirigir. Trabalhei muito na agricultura. Plantávamos milho, trigo, soja, laranja...

Revista: Quantos irmãos o senhor tinha?
Turani:
Nós éramos sete irmãos. Eu sou o mais velho de todos. Desde quando eu era pequeno, tudo era eu que fazia. Eu dirigia, eu pagava as contas. Eu estudava pra padre, saí do seminário, fui pra casa e me decepcionei com as condições em que meus pais viviam. Começamos a trabalhar, derrubar mato e fazer plantação. Em seis anos nós compramos uma camioneta nova.

Revista: O senhor estudava naquela época?
Turani:
Sim, estudei em colégio de padre durante três anos. Foi muito importante para a minha formação. Aprendi a ler, escrever, rezar e respeitar as pessoas. O colégio era em regime de internato, eu ia para casa uma vez por ano. Sofri muito, minha mãe me visitava uma vez por mês trazendo sempre uma lata cheia de bolacha caseira. Eu distribuía tudo para os meus amigos.

Revista: E além de trabalhar na colônia, o senhor trabalhou em outro local?
Turani:
Eu trabalhei no Batalhão Ferroviário. Eu comecei como britador, depois passei à limpeza de avançamento de trilhos. Depois, passei a mestre da limpeza de trilhos. Fiquei uns dois, três anos e pouco e saí. Eu tinha 20 anos na época.

Revista: A sua esposa, o senhor a conheceu lá mesmo?
Turani:
A minha esposa eu conheci lá mesmo, nas festas das igrejas. Ela é de Nova Prata. Nos casamos quando eu tinha 21 anos.

Revista: E o primeiro filho?
Turani:
Ficamos uns três anos sem filho. Quando nasceu o primeiro, o José, a gente resolveu mudar de trabalho. Fui trabalhar de motorista de caminhão de carga, mas não deu certo..

Revista: Como foi a exeperiência de motorista?
Turani:
Era muito sacrifício. Saía um dia e voltava depois de 15, 30 dias. Carregava daqui para o Rio de Janeiro, de lá ia para São Paulo. Depois carregava para o Recife, de lá voltava para São Paulo. Às vezes eu ia carregar e não tinha carga. Esperava dias pra conseguir. Eram, algumas vezes, 15 dias parado esperando carga. Eu não agüentei. Eu fiquei durante quatro anos e larguei.

Revista: E o que o senhor fez?
Turani:
Eu vim para casa e pensei: o que vou fazer? Na colônia não dava mais, então vim para a Santa Isabel trabalhar junto com meu tio.

Revista: O Antônio Furlan?
Turani:
Isso. Ele é meu tio por parte de mãe e meu padrinho. Me ensinou a trabalhar e negociar, foi um exemplo para mim.

Revista: E quando foi que o senhor veio para cá?
Turani:
Quando eu cheguei acho que era 1960.

Revista: Veio com a família?
Turani:
Não, eu vim sozinho. Eu nunca troquei a minha família de lugar sem saber para onde ela iria. Eu fiquei três meses sozinho e depois fui morar em uma casa ali na Paróquia, cedida pelos padres. Foi quando eu trouxe minha família. Eu morei ali durante dois anos. Nesse meio tempo eu comprei uma casa de madeira. Daí fui melhorando, construindo, até transformar em alvenaria.

Revista: E o que o senhor fez quando chegou?
Turani:
Eu trabalhava no Supermercado Furlan. Trabalhava de açougueiro, motorista, caixa, o que tivesse para fazer. Onde faltava gente eu estava.

Revista: E no supermercado, o senhor trabalhou durante quanto tempo?
Turani: Eu trabalhei cinco anos com o meu tio.

Revista: E quando o senhor saiu do supermercado?
Turani:
Um dia eu fui lá para fora buscar uma carga de feijão para o supermercado e acabei decidindo iniciar o meu próprio negócio. Comprei um caminhão com a ajuda do José Grassi e comecei no ramo de transportes. No início, transportava tomates, com o fim da safra troquei pelo transporte de melancia. Mas como não dava dinheiro, decidi levar mudanças. Como meu caminhão era aberto e ninguém aceitava mudança, precisei colocar um baú. No primeiro mês eu consegui pagar a prestação do caminhão. O primeiro carreto que eu fiz foi para os padres e assim comecei. Paguei o caminhão em dois anos e comprei depois, com o tempo, mais quatro. Fiquei no total com cinco caminhões na mudança e uma tombadeira transportando brita.

Revista: E depois das mudanças o que o senhor fez?
Turani:
Com o passar do tempo, surgiram exigências e aumentou a concorrência. Foi preciso baixar o frete e daí começou a baixar o lucro.

Revista: Então o senhor decidiu abrir a fruteira?
Turani:
Eu comprei os terrenos aqui da esquina e abri a fruteira. Nós demoramos um ano para fazer o ponto.

Revista: Em que época isso?
Turani:
Acho que 88, 89, lá pelo final dos anos 80.

Revista: E o hotel quando começou a funcionar? Por que o senhor investiu neste negócio?
Turani:
O restaurante está funcionando há três anos. O hotel tem dois anos que foi aberto. Meu sonho desde pequeno era construir um edifício, a minha casa e dar um terreno para cada filho, então surgiu o hotel e o restaurante, pois na Santa Isabel não existia nenhum empreendimento na área de hotelaria..

Revista: Foi difícil construir o hotel?
Turani:
Foi muito difícil, pois vendi alguns bens que me pertenciam. A obra levou um ano para ficar pronta. O difícil foi o acabamento.

Revista: Hoje, o que o senhor administra?
Turani:
Eu administro tudo com a ajuda da família. Minha esposa cuida do restaurante, meus filhos do transporte e da fruteira.

Revista: Hoje, o que o senhor administra?
Turani:
Eu administro tudo com a ajuda da família. Minha esposa cuida do restaurante, meus filhos do transporte e da fruteira.

Revista: O senhor valoriza muito as pessoas que vêm do interior, por quê?
Turani:
Valorizo todas as pessoas. Eu vim di interior e no portanto sei das dificuldades que as pessoas enfrentam no dia-a-dia. Desde cedo comecei a trabalhar ajudando meus pais. Quando se vêm para a cidade, querem trabalhar, conquistar seus objetivos. São pessoas humildes.

Revista: Quando o senhor chegou aqui, a Santa Isabel era pouco evoluída?
Turani:
Quando eu vim aqui na primeira vez, me aborreci e fui embora. Eu vim do meio do mato para continuar no meio do mato, então voltei para lá.

Revista: O senhor sempre participou da igreja?
Turani:
Sim. Sou católico. Estudei no seminário e sou devoto de Nossa Senhora do Caravagio. Gosto muito de ir à igreja aos domingos.

Revista: E sua esposa esteve sempre junto lhe apoiando?
Turani:
Sim, esteve sempre do meu lado, nas horas boas e ruins, trabalhando junto. Minha esposa é o alicerce da família.

Revista: O senhor teve uma participação na política em 2000. Como foi essa experiência?
Turani:
Eu fui candidato a vereador, recebi 210 votos, tinha muitos planos para ajudar a comunidade. Não fui eleito, então resolvi não me envolver mais, por não ter experiência. Espero que os políticos cumpram com seus deveres e obrigações.

Revista: Hoje em dia o senhor fica um pouco no hotel, na fruteira, no bar... O que o senhor constuma fazer?
Turani:
Eu fico um pouco no hotel, na fruteira. Duas vezes por semana eu vou na Ceasa comprar frutas e verduras. Dou início nos afazeres do dia, acompanho e resolvo os negócios.

Revista: E o senhor pretende continuar trabalhando ou pensa em se aposentar ?
Turani:
Nunca vou deixar de trabalhar, pois trabalhar faz parte da minha vida.