Personalidades
Éldio Menezes
Empresário do ramo de materiais de construção, Éldio Menezes revela como começou seus negócios e porque escolheu Viamão para abrigar seu comércio. Natural de Tenente Portela, bem sucedido e cada vez mais ampliando sua empresa, é casado com Sônia Rejane Menezes, com quem tem duas filhas: Lethícia, 19 anos, e Larissa, 6. Aos 43 anos de idade, seu esporte é jogar futebol, tem como hobby principal viajar pelo interior e sua comida preferida é a típica de um bom gaúcho: o churrasco. O proprietário da Menezes Materiais de Construção e Decoração não esquece a região de Bonito, em Minas Gerais, e quando é perguntado sobre seu lema, responde: “quem compra, vende”.

Entrevista concedida à Revista Santa Isabel

Revista: Quando o senhor saiu de Tenente Portela?
Menezes: Eu saí de Tenente Portela em 1976. Fui estudar no colégio em Taquara, um internato, no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Fiquei até final de 78, daí voltei para Miraguaí, Tenente Portela de novo e em 79 vim para Porto Alegre. Fui trabalhar com um tio meu em uma eletrônica. Só que eu não me conformava com aquela situação de empregado, daí em 82 eu fui trabalhar como representante comercial.

Revista: Como foi esse começo?
Menezes: Comecei em 82 com um outro tio meu em uma sociedade que existiu até 88. A partir de 88 eu montei a minha representação sozinho. Trabalhei com a representação até 2001, sendo que eu já tinha montado a empresa aqui seis anos antes. Como a empresa começou a se desenvolver, eu larguei a representação.

Revista: Quando o senhor chegou aqui em Viamão?
Menezes: Eu vim morar aqui em 1985, na Zilda de Abreu. Depois vim para a Rincão da Querência. Depois, conhecemos e compramos a sede da empresa.

Revista: Estabeleceu a empresa nessa época?
Menezes: Não. Ainda não. Quando vim morar aqui na Rincão, um dia, estava passando pelo prédio, que estava à venda e, brincando com minha esposa, disse que iria comprá-lo. Ela riu e brincou comigo. Aquilo parece que me motivou e acabei comprando-o logo depois. Comprei o prédio que era do antigo Grassi, estava depredado, daí comecei a reformar e montei a loja. Mantinha a representação, mas chegou ao ponto em que ficou inviável continuar com a representação.
Revista: Nessa época em que o senhor veio morar aqui, onde a empresa funcionava?
Menezes: Em Porto Alegre, na Protásio Alves. Era a representação, não a loja.

Revista: Por que o senhor veio morar em Viamão?
Menezes: É que a minha esposa morava e já conhecia aqui. Na época, vim morar aqui devido às circunstâncias.

Revista: Para a empresa foi melhor ficar instalada em Viamão?
Menezes: Quando abri aqui, o pessoal me chamava de louco, devido ao tipo de material que eu vendia. Todo mundo achava que não iria dar certo, pois Porto Alegre fica perto daqui. Mas eu vim de maneira diferente, porque aqui não tinha ninguém especializado em acabamento.
Revista: A empresa comercializa só em Viamão, Região Metropolitana...?
Menezes: Toda a região metropolitana. Inclusive, como nós temos uma parceria muito grande com a Ceusa, a gente compra produtos em grande quantidade deles, então, nesses tempos, gente lá de Uberlândia comprou de nós. Ninguém tinha, daí a Ceusa nos indicou. A gente vende praticamente para todo o estado.

Revista: O senhor participou ou participa de algum movimento?
Menezes: No momento eu estou participando de um grupo do Sebrae. Eu fiz um curso no Sebrae e estamos desenvolvendo um curso profissionalizante na área de mão-de-obra, pois Viamão é muito carente em mão-de-obra qualificada.

Revista: Qual será a sua participação no projeto?
Menezes: Nós somos um grupo de 18 empresários que vamos constituir e procurar desenvolver. Procuraremos os órgãos públicos e daremos a influência que temos para conseguir cursos gratuitos. Pretendemos montar isto até o final do ano. O Sebrae vai nos auxiliar na montagem do projeto. O problema de Viamão, hoje, é a falta de pessoas com mão-de-obra qualificada e o projeto servirá para mudar isso.

Revista: O senhor procura se aperfeiçoar através de cursos, palestras etc?
Menezes: Quando eu era representante, todos os anos participava de cursos de vendas. Este ano eu fiz um curso no Sebrae. Procuro sempre me atualizar.
Revista: Na empresa o senhor não só administra como também ajuda a carregar o material etc. O senhor sempre faz isso?
Menezes: Tem que ser ativo, estar sempre participando. É preciso saber tudo, conhecer todas as áreas.

Revista: O senhor nunca pensou em sair de Viamão?
Menezes: Não. Eu vejo da seguinte forma: Viamão é hoje uma cidade que tem muito a se desenvolver. Viamão é uma das cidades mais promissoras.

Revista: Se hoje tivesse novamente o movimento de emancipação o senhor participaria?
Menezes:
Se tivesse hoje uma nova tentativa eu abraçaria a causa muito mais do que na outra vez.

Revista: O que o senhor acha que mudaria?
Menezes:
Para a empresa não mudaria muito, mas sim a localidade se desenvolveria e todos sairiam ganhando, inclusive as empresas.

Revista: Vocês mesmos transportam?
Menezes:
Nós transportamos. Nossos principais clientes são redes de hotéis e motéis que a gente faz um trabalho diferenciado.

Revista: Que tipo de material a Menezes comercializa?
Menezes:
Trabalhamos com pisos, azulejos, louças, metais, banheiras de hidromassagem, aquecedores e nesta linha nós somos os únicos em Viamão.

Revista: Quando vocês vieram morar aqui encontraram alguma dificuldade?
Menezes:
Não. Nós fomos bem recebidos e sempre fizemos investimentos conforme as possibilidades, nunca dando um passo maior que a perna.

Revista: Em relação à época em que vocês vieram para cá, mudou muito a Santa Isabel?
Menezes:
Evoluiu bastante.

Revista: Em qual sentido?
Menezes:
O pessoal do comércio mudou bastante. Na época em que eu vim para cá, não tinha nem asfalto na Liberdade. Hoje, muitas lojas grandes já estão vindo para a Santa Isabel. Se analisarmos, aqui temos uma população muito maior que muitas cidades do interior.

Revista: Além do ramo, atuaste em outros ramos antes?
Menezes:
Eu só trabalhei com eletrônica, e antes, no colégio, trabalhei na padaria.
Revista: E por que resolveste investir nesse ramo?
Menezes: Porque eu era representante comercial, vendia para esse pessoal e via que eles não acreditavam no próprio negócio. Eu penso assim: se eu não investir no meu negócio, vou investir no quê? Eu conhecia os representantes de outras fábricas, então eu tive bastante apoio dos meus colegas representantes, para me darem força, liberar crédito rápido. O pessoal já me conhecia.

Revista: Pretendes investir em outro ramo?
Menezes:
Estamos com um projeto já, adquirimos, em outubro de 2001, uma área de 3 mil metros quadrados perto da Mu-Mu. Este ano vamos fazer o resto da escavação. Nós vamos fazer uma loja e um motel. Um motel, a princípio com 20 apartamentos, padrão classe A, que Viamão não tem ainda. A loja não terá show-room, só ponto de venda. Pretendemos iniciar este ano.

Revista: O que o senhor acha que a Santa Isabel tem de bom?
Menezes:
É como se fosse uma cidade do interior. Você sai aqui e conhece todo mundo. É muito bom.

Revista: O que o senhor espera do futuro da Santa Isabel?
Menezes:
Emancipar. É o que falta.

Revista: Por que o senhor veio do interior para cá?
Menezes:
Meus pais são pequenos agricultores, moram lá ainda. Eu não via futuro pra mim. Eu tinha que sair. O único que gera emprego é a Prefeitura, então, eu não queria aquilo pra mim, tive que sair, vir à luta.